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STF Questiona Proibição de Cotas Raciais em Universidades de Santa Catarina: Gilmar Mendes Dá 48 Horas ao Governo de SC

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Contexto da Polêmica Lei Estadual em Santa Catarina

A Lei nº 19.722/2026, sancionada em 22 de janeiro de 2026 pelo governador Jorginho Mello (PL), gerou intensos debates no cenário do ensino superior brasileiro. Essa norma proíbe expressamente a adoção de cotas raciais ou qualquer forma de ações afirmativas baseadas em identidade étnico-racial, de gênero ou similares em instituições de ensino superior públicas estaduais ou que recebem recursos públicos em Santa Catarina. Em vez disso, prioriza critérios exclusivamente socioeconômicos, como renda familiar, patrimônio e situação de risco social, além de reservas para pessoas com deficiência (PCD) e egressos de escolas públicas estaduais.

O texto legal estabelece sanções rigorosas para descumprimento: nulidade de vestibulares ou concursos públicos, multas de R$ 100 mil por edital violado, corte de repasses de verbas estaduais e até processos disciplinares contra agentes públicos responsáveis. A medida afeta diretamente a Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), principal instituição pública estadual, além do sistema ACAFE – conjunto de universidades comunitárias – e faculdades privadas beneficiadas por programas como Universidade Gratuita e Fundo de Apoio à Educação Superior (Fumdesc).

Aprovada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) em dezembro de 2025, a lei surgiu em um contexto político conservador, com defensores argumentando pela promoção da meritocracia e impessoalidade no acesso à educação superior. No entanto, críticos veem nela um retrocesso às políticas de inclusão racial consolidadas nacionalmente.

O Despacho Urgente de Gilmar Mendes no STF

Em 26 de janeiro de 2026, o ministro Gilmar Mendes, relator das ações no Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu prazo de 48 horas ao governo de Santa Catarina e à Alesc para prestarem esclarecimentos detalhados sobre a lei. O despacho responde a três Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs): ADI 7925 (ajuizada pelo PSOL, UNE e Educafro), ADI 7926 (Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria – CNTI) e ADI 7927 (Ordem dos Advogados do Brasil – OAB).

Mendes também requisitou informações da UDESC sobre o vestibular 2026/1, cujos editais foram publicados em agosto e setembro de 2025, com inscrições até janeiro de 2026 e matrículas em fevereiro. Os autores das ADIs pedem liminar para suspender imediatamente os efeitos da lei, alegando violação à Constituição Federal e risco a processos seletivos em curso. O ministro abriu vista para o advogado-geral da União (AGU) e a procuradora-geral da República (PGR) se manifestarem.

Essa intervenção rápida reflete a urgência do tema, especialmente porque o STF já consolidou a constitucionalidade das cotas raciais em decisões históricas.

Ministro Gilmar Mendes proferindo despacho sobre cotas raciais em SC

Histórico das Cotas Raciais no Ensino Superior Brasileiro

As cotas raciais emergiram no Brasil como resposta ao racismo estrutural e à desigualdade histórica no acesso à educação superior. Em 2012, o STF julgou constitucionais as políticas de ações afirmativas na ADI 3330 e ADPF 186, referente à Universidade de Brasília (UnB), reconhecendo-as como medidas temporárias para promover a igualdade material prevista no artigo 5º da Constituição de 1988.

A Lei federal nº 12.711/2012, conhecida como Lei de Cotas, reservou 50% das vagas em universidades federais para egressos de escolas públicas, com subcotas para pretos, pardos, indígenas e baixa renda, proporcional à população local pelo IBGE. Essa norma transformou o perfil das instituições: nacionalmente, o percentual de estudantes negros (pretos e pardos) em federais saltou de cerca de 35% em 2012 para mais de 50% em anos recentes.

Estados e municípios seguiram o exemplo, adaptando políticas locais. Em Santa Catarina, a UDESC adotou cotas em 2011: 10% para pretos e pardos, 20% para escola pública e 5% para PCD. Apesar de não serem federais, essas universidades estaduais operam sob o mesmo princípio constitucional de autonomia universitária e promoção da igualdade.

Demografia Catarinense e os Argumentos Governamentais

Santa Catarina tem a maior proporção de população branca do Brasil: 76,28% segundo o Censo IBGE 2022, com pretos e pardos somando cerca de 23%. O governo estadual usa esses dados para justificar a lei, alegando que cotas raciais seriam desnecessárias em um estado com baixa população negra e alta renda média. A PGE/SC defende critérios objetivos e mensuráveis, como renda, para evitar subjetividade e promover impessoalidade, alinhando-se ao princípio da isonomia.

No entanto, críticos apontam disparidades: brancos têm o dobro de acesso ao ensino superior em relação a negros, mesmo em SC. Estudos mostram que cotas corrigem assimetrias persistentes do racismo estrutural, reconhecido pelo STF na ADPF 973/2025.

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  • População SC (IBGE 2022): 7,6 milhões; 76% brancos, 21% pardos, 2% pretos, 0,4% indígenas.
  • Acesso superior: Negros sub-representados em 50-60% abaixo da proporção populacional.

Impactos Concretos nas Universidades de SC: Foco na UDESC

Na UDESC, as cotas revolucionaram a diversidade. Em 2010, pré-cotas, apenas 4,9% dos ingressantes eram pretos ou pardos; em 2022, 20,1%. Geralmente, negros passaram de 6,4% para 17,6% dos alunos em 15 anos. A proibição ameaça reverter esses ganhos, afetando milhares de estudantes em campi como Florianópolis, Joinville e Lages.

Outras afetadas incluem UNOESC (Unoesc), UNIPLAC e o sistema ACAFE (20+ instituições comunitárias com repasses estaduais). Vestibulares em andamento, como o da UDESC 2026/1 (provas em nov/2025), preveem cotas raciais, criando insegurança jurídica.

Estudantes beneficiados por cotas na UDESC, Santa Catarina

Para profissionais do ensino superior em SC, oportunidades continuam em vagas no Brasil via AcademicJobs.com.

Ano% Pretos/Pardos Ingressantes UDESC
20104,9%
202220,1%

Reações de Entidades Estudantis e Sociedade Civil

A UNE, PSOL e Educafro, na ADI 7925, argumentam perpetuação do racismo estrutural e violação à Convenção Interamericana contra o Racismo. A OAB, na ADI 7927, cita proibição de retrocesso social e autonomia universitária (art. 207 CF). A Fundação Palmares chamou de 'retrocesso de direitos'.

Universidades federais de SC (UFSC, UFPR) emitiram notas de repúdio. Especialistas em direito constitucional, como professores da UFSC, afirmam inconstitucionalidade por contrariar STF e pacto federativo.

O governo rebate: 'Concorrência justa e meritocracia', priorizando vulnerabilidade econômica.

Suspensão Liminar pelo TJSC e Manifestação da PGR

Em 27 de janeiro de 2026, a desembargadora Maria do Rocio Luz Santa Ritta (TJSC) concedeu liminar suspendendo a lei, atendendo ação da Coalizão Negra. A PGR recomendou suspensão em 30/01, reforçando argumentos constitucionais.

A UDESC confirmou validade dos editais atuais e enviou informações ao STF. Alesc e PGE preparam defesas.

Site oficial do STF para acompanhar as ADIs.

Implicações Nacionais para Ações Afirmativas

Se mantida, a lei poderia inspirar outros estados conservadores, fragmentando políticas nacionais. Mas precedentes STF favorecem cotistas: desempenho similar ou superior em muitos estudos (ex: Ipea). Cotas elevaram evasão zero em alguns cursos UDESC.

Para carreira acadêmica, diversidade enriquece salas. Confira conselhos de carreira no ensino superior.

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Perspectivas Futuras e Soluções Construtivas

O julgamento pleno no STF pode reafirmar cotas como essenciais. Soluções: monitoramento heteroidentificação, bolsas complementares. Universidades buscam equilíbrio entre inclusão e excelência.

  • Benefícios cotas: + Diversidade, redução desigualdades.
  • Riscos proibição: Retrocesso inclusão racial.
  • Alternativas: Critérios híbridos socioeconômico-racial.

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Conclusão: Educação Inclusiva como Pilar Democrático

A disputa em SC destaca tensões entre meritocracia formal e igualdade substancial. Enquanto o STF delibera, universidades mantêm cotas via liminares. Para aspirantes a carreiras acadêmicas, recursos como avaliações de professores, empregos no ensino superior e orientação profissional são indispensáveis. AcademicJobs.com posiciona-se por educação acessível a todos.

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Frequently Asked Questions

📜O que diz a Lei 19.722/2026 de Santa Catarina?

A lei proíbe cotas raciais em universidades estaduais e financiadas pelo estado, priorizando critérios socioeconômicos. Sanções incluem multas de R$100 mil.

Por que Gilmar Mendes deu 48 horas ao governo?

Para esclarecimentos sobre ADIs no STF, devido a vestibulares em andamento na UDESC. Relator das ações contra a lei.

🏫Quais universidades são afetadas?

UDESC, sistema ACAFE e privadas com bolsas estaduais como Universidade Gratuita.

📈Qual o impacto das cotas na UDESC?

Pretos/pardos ingressantes: de 4,9% em 2010 para 20,1% em 2022.

⚖️STF já decidiu sobre cotas raciais?

Sim, em 2012 (ADI 3330/ADPF 186), declarou constitucionais.

📊Argumentos do governo SC?

76% população branca (IBGE); prioriza meritocracia e critérios objetivos.

Reações da UNE e OAB?

Inconstitucional; viola igualdade material e autonomia universitária.

🚫TJSC suspendeu a lei?

Sim, liminar em 27/01/2026 pela desembargadora Maria do Rocio.

🌍Demografia SC e desigualdades?

23% negros; brancos com dobro de acesso ao superior.

🔮Futuro das cotas em SC?

Depende de julgamento STF; tendência manutenção por precedentes. Veja carreiras no ensino superior.

📋PGR se manifestou?

Recomendou suspensão em 30/01/2026.