A UFTM Abre Diálogo Público sobre a Evasão no Ensino Superior Brasileiro
A Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) está na vanguarda do debate sobre um dos maiores desafios do ensino superior no Brasil: a evasão estudantil. Nesta sexta-feira, 20 de março de 2026, a instituição promove uma audiência pública dedicada ao tema "Evasão na UFTM", no Auditório Safira, das 9h às 12h. Organizada pela Pró-Reitoria de Ensino (Proens), a iniciativa busca criar um espaço de diálogo aberto, escuta ativa e construção coletiva de soluções para enfrentar o problema que afeta trajetórias acadêmicas, sonhos profissionais e o papel social das universidades.
O evento convida toda a comunidade acadêmica – estudantes, professores, técnicos e gestores – a participar e contribuir com ideias. Ele se insere em um contexto mais amplo de ações da UFTM para monitorar e reduzir o abandono, como o Programa PermaneSer, lançado em julho de 2025, que integra acolhimento, retenção e promoção da permanência estudantil. A reitora Marinalva Barbosa tem destacado a importância de compreender as demandas dos alunos para elaborar estratégias eficazes, evitando desperdício de recursos públicos e fortalecendo a inclusão.
O Alarmante Panorama Nacional da Evasão no Ensino Superior
O Brasil alcançou um marco histórico com mais de 10 milhões de matrículas em cursos de graduação em 2024, conforme o Censo da Educação Superior do INEP. No entanto, esse crescimento esconde uma realidade preocupante: a taxa de evasão do sistema chegou a 17,5% no período 2023-2024, o maior índice registrado recentemente, superior aos 16% do ano anterior. Na modalidade presencial, a taxa foi de 18,6%, enquanto no Ensino a Distância (EaD), que representa 50,7% das matrículas, atingiu 22% – com picos de 24,1% em algumas análises.
De acordo com o relatório Education at a Glance 2025 da OCDE, 25% dos estudantes brasileiros abandonam a graduação já no primeiro ano, quase o dobro da média da organização (13%). Além disso, apenas 38% concluem no prazo esperado (geralmente 4 anos), e 51% permanecem sem diploma mesmo três anos após o término previsto – contra 30% na OCDE. Esses números impactam especialmente as universidades públicas, onde a evasão é de cerca de 12,7%, mas o custo por aluno evadido é elevado devido aos investimentos estatais.
Evasão nas Universidades Federais: Um Desafio Compartilhado
As federais, responsáveis por cerca de 20% das matrículas públicas, enfrentam evasão agravada pela expansão via SiSU e cotas, sem estrutura proporcional de apoio. Na UFTM, um diagnóstico preliminar aponta dificuldades financeiras e conciliação entre estudo e trabalho como principais fatores, sem planos de fechamento de cursos apesar de baixa procura em licenciaturas e engenharias. Dados mais antigos revelam taxas altas no primeiro ano, como 51% em Licenciatura em Física e Letras em 2022, mas ações recentes visam reverter isso.
No contexto nacional, o abandono nas públicas subiu de 6,9% em 2010 para 12,7% em 2024, refletindo gaps na educação básica e falta de orientação vocacional. Mulheres concluem mais no prazo, mas enfrentam barreiras como gravidez adolescente; negros e pardos têm taxas mais altas (15,8-16,7%).
Principais Causas da Evasão: Fatores Econômicos, Acadêmicos e Sociais
A evasão decorre de múltiplos fatores interligados. Economicamente, 80% das vagas privadas exigem mensalidades, e mesmo nas públicas gratuitas, custos indiretos (transporte, moradia) pressionam – especialmente para os 76% que pausam após o ensino médio. Muitos conciliam trabalho precário com estudos, levando a reprovações.
Academicamente, baixa preparação da educação básica causa gaps em matemática e português, pior em exatas (38% conclusão vs. 46% saúde). Escolha precipitada de curso – via vestibular/ENEM sem orientação – gera desinteresse (terceira causa principal). Sociais: falta de rede de apoio familiar (primeira geração universitária), saúde mental e discriminação afetam cotistas.
- Dificuldades financeiras: Necessidade de trabalhar (principal motivo em estudos).
- Desalinhamento vocacional: Frustração com curso escolhido.
- Baixa qualidade básica: Déficits cognitivos.
- Fatores pessoais: Saúde, família, distância.
A Realidade na UFTM: Diagnósticos e Iniciativas Locais
Na UFTM, o Programa PermaneSer integra monitoramento de trajetórias, núcleos educacionais e parcerias para acolhimento. Lançado com audiência em 2025, ele usa dados de 2023-2024 para ações como assistência estudantil (moradia, RU sem reajuste) e Salas Azuis para neurodivergentes. A Secretaria de Equidade reforça inclusão de cotistas e vulneráveis. Capacitações para servidores combatem retenção via orientação proativa.
Essas medidas respondem a um cenário onde evasão impacta repasses federais, motivando o ciclo de audiências públicas da UFTM desde 2024.
Perspectivas de Estudantes e Professores: Vozes do Chão
Estudantes relatam pressão financeira como gatilho inicial, evoluindo para desmotivação acadêmica. Professores apontam necessidade de tutorias e flexibilidade curricular. Na audiência, espera-se escuta qualificada para políticas baseadas em evidências locais, inspirando outras federais.
| Fator | % Impacto (Estudos Nacionais) |
|---|---|
| Financeiro/Trabalho | 40-50% |
| Desinteresse Curso | 25-30% |
| Reprovação | 20% |
| Outros | 10% |
Soluções Inovadoras: Do Monitoramento à Orientação Vocacional
Para reduzir evasão, especialistas recomendam análise preditiva de risco (perfil socioeconômico, desempenho inicial), bolsas ampliadas e mentorias. Plataformas de IA personalizam apoio, como no HackLab FNESP. Na UFTM, Permanecer exemplifica: rede integrada pró-reitorias/cursos para intervenção precoce.
Outras: currículos flexíveis (mudança de curso sem perda), estágios remunerados, suporte psicológico. Políticas nacionais como Pé-de-Meia reduzem 21% evasão em vulneráveis. Saiba mais sobre dados no Censo INEP 2024.
- Análise preditiva para alerta precoce.
- Auxílios financeiros e moradia.
- Orientação vocacional contínua.
- Parcerias empresa-universidade.
- Formação docente em retenção.
Casos de Sucesso e Lições de Outras Instituições
Universidades como UFU e IFTM em Uberaba adotam programas similares, reduzindo evasão em 10-15% via tutorias. No MEC, núcleos RIeH promovem hibridismo equitativo. Internacionalmente, OCDE sugere extensão de escolha vocacional para pós-graduação.
Estudos mostram ROI alto: reter aluno custa 1/3 de captar novo.
Implicações Econômicas e Sociais: Por Que Combater a Evasão?
Evasão desperdiça R$ bilhões em vagas públicas e perpetua desigualdades: diploma dobra salário (148% mais para graduados 25+). Reduzir em 10% elevaria PIB via mão de obra qualificada. Para Brasil, meta OCDE-like exige investimento em base e permanência.
Perspectivas Futuras: Rumo a uma Graduação Inclusiva e Eficaz
A audiência UFTM pode catalisar políticas nacionais, integrando IA, equity e parcerias. Com foco em soluções construtivas, o ensino superior brasileiro pode transformar evasão em retenção, formando gerações para Viksit Bharat-like visão educacional. Participe e contribua para o debate.
Consulte o relatório OCDE completo aqui para análises comparativas.
