Academic Jobs - Home of Higher Ed Logo

Paralisação na USP: Estudantes Aprovam Greve em Solidariedade aos Funcionários Contra Sucateamento

408views
Submit News
person holding black DSLR camera
Photo by Caftos on Unsplash

Contexto da Crise na Universidade de São Paulo

A Universidade de São Paulo (USP), maior e mais prestigiada instituição pública de ensino superior do Brasil, vive um momento de tensão com a deflagração de uma greve indefinida pelos funcionários técnico-administrativos (TAEs) iniciada em 14 de abril de 2026. A mobilização, aprovada por unanimidade em assembleia do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) no dia 9 de abril, ganhou adesão massiva de estudantes, que realizaram paralisação no mesmo dia em dezenas de cursos. Esse movimento conjunto reflete preocupações profundas com a isonomia salarial, reajustes há muito adiados e o sucateamento progressivo da infraestrutura universitária, agravando um quadro de subfinanciamento crônico nas universidades estaduais paulistas.

A USP, com cerca de 12.600 TAEs e mais de 90 mil alunos de graduação e pós-graduação distribuídos em sete campi principais (São Paulo, Ribeirão Preto, São Carlos, Pirassununga, Bauru, Lorena e Santos), é um pilar da pesquisa e formação no país. No entanto, anos de congelamentos orçamentários estaduais têm impactado serviços essenciais, desde laboratórios até restaurantes universitários (RUs). O orçamento da USP para 2026 é estimado em R$ 9,41 bilhões, com 5,02% da cota do ICMS estadual, mas críticos apontam que isso não acompanha a inflação nem as demandas crescentes.

O Estopim: Aprovação da GACE e a Quebra da Isonomia Salarial

O catalisador imediato da greve foi a Resolução nº 8969/2026, aprovada pelo Conselho Universitário (Co) em 31 de março, que institui a Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (GACE). Essa gratificação concede até R$ 4.500 mensais por 24 meses a professores em regime de Dedicação Integral à Docência e Pesquisa (RDIDP) que desenvolvam projetos estratégicos, como cursos em inglês ou atividades de extensão. O montante total previsto é de cerca de R$ 476 milhões em dois anos, o que os TAEs veem como elitista e violador da isonomia histórica entre categorias.

"A reitoria trata os funcionários como cidadãos de segunda classe", destacou o Sintusp em boletim oficial. Os trabalhadores exigem a divisão proporcional desse fundo, com incorporação fixa de R$ 1.600 ao salário base, além de 14,5% de reposição salarial pelas perdas acumuladas desde 2012. Outras demandas incluem abono de horas-ponte e recesso de fim de ano equiparados aos docentes, vale-refeição ilimitado (BUSP especial) e fim da escala 6x1 para terceirizados, que compõem grande parte dos serviços.

O reitor Aluísio Segurado, empossado recentemente à frente da gestão Segurado-Bernucci, defendeu a GACE como medida para "valorizar a carreira docente e estimular excelência acadêmica". Ele anunciou contrapartidas para TAEs em estudo, como reajuste no vale-refeição de R$ 1.950 para R$ 2.050 anuais, auxílio-alimentação diário de R$ 65 e aumento de 14,3% no auxílio-saúde a partir de maio. Contudo, essas medidas não acalmaram os ânimos, pois não abordam a incorporação salarial nem o sucateamento.

Assembleia do Sintusp aprovando greve na USP em abril de 2026

Mobilização Estudantil: Dezenas de Assembleias e Paralisação em Massa

Estudantes da USP, organizados pelo Diretório Central dos Estudantes Livre (DCE-Livre "Alexandre Vannucchi Leme"), realizaram mais de 70 assembleias entre 8 e 13 de abril, com adesão de pelo menos 105 cursos de graduação nos campi da capital e interior. A paralisação de 14 de abril incluiu piquetes, arrastões e ocupação de prédio na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH). Nota assinada por 75 entidades estudantis denuncia uma portaria reitoral que restringe o uso de espaços pelos centros acadêmicos (CAs), permitindo revogações "por conveniência" e limitando comércio interno.

A pauta estudantil foca na permanência: reajuste das bolsas do Programa de Apoio à Formação de Pós-Graduandos e Estudantes de Graduação (PAFPE) de R$ 885 (integral) para R$ 1.000 e R$ 335 (parcial) para R$ 500; melhoria nos RUs, com relatos de larvas em refeições na Faculdade de Direito; e expansão de vagas no Conjunto Residencial Universitário do Butantã (CRUSP), hoje insuficiente para a demanda. Em 2026, R$ 461 milhões foram alocados para permanência (aumento de 8,25%), beneficiando 41,7% de alunos de famílias com renda abaixo de meio salário mínimo paulista (R$ 1.804).

Denúncias de Sucateamento: Infraestrutura em Colapso

O sucateamento é o fio condutor das queixas. Estudantes relatam tetos desabando na FFLCH, buracos em pisos, falta de materiais em laboratórios e circulares lotadas. Nos bandejões, filas intermináveis, calor excessivo e comida estragada com larvas e fungos levaram a suspensões de aulas. Uma denúncia no Co em 31 de março destacou larvas em pratos da Faculdade de Direito, serviço terceirizado sob investigação da reitoria, que emitiu advertências e monitora com nutricionistas.

Esse quadro reflete cortes orçamentários estaduais: apesar do ICMS, obras paralisadas e precarização de terceirizados agravam o problema. Em assembleias, estudantes unificaram pautas com TAEs, vendo na GACE prioridade errada enquanto a infraestrutura degrada.

Impactos Imediatos da Greve e Paralisação

No primeiro dia (14/4), a adesão afetou serviços em todos os campi: bibliotecas fechadas, laboratórios parados e aulas suspensas. Arrastão às 14h partiu da reitoria central, com ocupação na EACH. A USP estima reposição docente lenta desde 2023, mas a greve pode atrasar calendários acadêmicos e exames. Com 12.600 TAEs, a paralisação desafia a gestão nova, que prioriza excelência acadêmica.

  • Serviços afetados: Limpeza, segurança, RUs, transporte.
  • Aulas e pesquisa: Suspensas em 105+ cursos; labs inoperantes.
  • Estudantes: 41,7% de baixa renda impactados pela permanência precária.

Histórico de Lutas na USP e Contexto Nacional

A USP tem tradição grevista: 2014 viu a mais longa (106 dias TAEs+docentes+estudantes); 2023 mobilizou todos os institutos da capital por falta de professores (818 perdidos desde 2014). Em 2026, TAEs federais (FASUBRA) grevam desde 23/02 em 50+ instituições por RSC e acordos não cumpridos. Paulistas (USP, Unesp, Unicamp) unificam pauta salarial via Fórum das Seis.

Cortes federais de R$ 488 milhões em UFs (7% menos que 2025) e estaduais agravam: educação superior pública encolhe apesar de matrículas recorde (10 milhões em 2024).

Perspectivas dos Stakeholders e Soluções Propostas

Sintusp exige negociação imediata; DCE clama por universidade pública, gratuita e de qualidade. Reitoria propõe diálogo, mas TAEs rejeitam sem isonomia. Especialistas sugerem incorporação progressiva, auditoria em terceirizações e Plano de Manutenção via Novo PAC. ANDES-SN apoia, vendo unificação como chave.

CategoriaDemanda PrincipalStatus
TAEsR$1.600 fixo + 14,5% reajusteGreve indefinida
EstudantesBolsas + RUs + CRUSPParalisação 14/4
ReitoriaProjetos TAEs em estudoNegociação aberta

Implicações para o Ensino Superior Brasileiro

Essa crise espelha desafios nacionais: subfinanciamento (cortes em UFs), desigualdades salariais e infraestrutura decadente. Soluções incluem emendas parlamentares, PPPs para manutenção e avaliação de gratificações inclusivas. Para USP, equilíbrio entre excelência e equidade é vital.

Protesto de estudantes e funcionários na USP durante paralisação de abril 2026

Olhar para o Futuro: Negociações e Reformas Necessárias

Comando de Greve monitora adesão; próxima assembleia definirá pautas ampliadas (contratações, teletrabalho). Perspectiva positiva se diálogo prevalecer, mas persistência pode estender paralisação. Para o Brasil, urge investimento em HE pública: 1% PIB em pesquisa, como defendem reitores. Estudantes e TAEs unem-se por uma USP sustentável.

a scrabble type block spelling the word endure

Photo by Alex Shute on Unsplash

Portrait of Prof. Marcus Blackwell
About the author

Prof. Marcus BlackwellView author

Academic Jobs In House Author

Acknowledgements:

Discussion

Sort by:

Be the first to comment on this article!

You

Please keep comments respectful and on-topic.

New0 comments

Join the conversation!

Add your comments now!

Have your say

Engagement level

Browse by Faculty

Browse by Subject

Frequently Asked Questions

⚖️O que motivou a greve dos TAEs na USP em abril de 2026?

A principal motivação foi a aprovação da GACE, gratificação de R$ 4.500 exclusiva para professores, quebrando a isonomia. TAEs exigem R$ 1.600 fixo incorporado e reajuste de 14,5% por perdas salariais desde 2012.

📚Quantos cursos de estudantes aderiram à paralisação?

Mais de 105 cursos em assembleias nos campi da capital e interior aprovaram paralisação em 14/4, com nota do DCE assinada por 75 entidades contra restrições a centros acadêmicos.

🏗️Quais são os exemplos de sucateamento na USP?

Relatos incluem tetos desabando na FFLCH, buracos em pisos, larvas em comida dos RUs (ex: Direito), filas nos bandejões e falta de vagas no CRUSP, impactando permanência estudantil.

🏛️Qual a resposta da reitoria à greve?

Reitor Aluísio Segurado defendeu GACE para excelência docente e anunciou aumentos em VR (R$ 2.050/ano), auxílio-alimentação (R$ 65/dia) e saúde (+14,3%). Projetos para TAEs em análise.

📈Qual o histórico recente de greves na USP?

Greve de 106 dias em 2014 (TAEs+docentes+estudantes); 2023 mobilizou todos institutos da capital por falta de professores (818 perdas desde 2014). Atual é primeira da gestão Segurado.

Como a greve afeta aulas e pesquisa?

Piquetes, fechamento de bibliotecas/labs e suspensão de aulas em 105+ cursos. Potencial atraso em calendários e exames, com impacto em 90 mil alunos e pesquisa de ponta.

🌐Há greves semelhantes em outras universidades?

Sim, TAEs federais (FASUBRA) grevam desde 23/02/2026 em 50+ UFs por acordos não cumpridos. Paulistas unificam via Fórum das Seis.

🔧Quais soluções são propostas para o sucateamento?

Auditoria em terceirizações, Plano de Manutenção via Novo PAC, recomposição orçamentária estadual e gratificações inclusivas para todas categorias.

💰Qual o orçamento da USP em 2026?

R$ 9,41 bilhões (5,02% ICMS-SP), com R$ 461 milhões para permanência (+8,25%). Críticos apontam insuficiência ante inflação e demandas.

🤝O que esperar das negociações?

Comando de Greve monitora; Sintusp exige diálogo imediato. Perspectiva depende de concessões na isonomia e investimentos em infraestrutura para encerrar mobilização.

📝Como a GACE funciona na prática?

Professores RDIDP propõem projetos estratégicos; gratificação temporária (24 meses), sem incorporação, para estimular extensão e internacionalização.