O Alerta do Senador Confúcio Moura para o Ensino Superior Público
Em um pronunciamento impactante no Plenário do Senado Federal na terça-feira, 31 de março de 2026, o senador Confúcio Moura (MDB-RO) cobrou maior rigor na criação de novos cursos em universidades públicas. Ele destacou uma crise de planejamento no ensino superior brasileiro, marcada pela proliferação de ofertas sem demanda real, levando a desperdício de recursos públicos e baixa qualidade educacional. Moura enfatizou que muitos cursos contam com poucas matrículas, enquanto as taxas de evasão disparam, especialmente nos modelos a distância (EaD).
O parlamentar argumentou que a expansão desordenada compromete a eficiência das instituições federais, estaduais e municipais. 'Precisamos planejar com base na demanda real de estudantes e no mercado de trabalho', declarou, citando exemplos concretos de cursos subutilizados, como um com apenas dois alunos matriculados em 50 vagas disponíveis. Essa crítica ecoa preocupações antigas no setor, agravadas pela aceleração da oferta de graduações nos últimos anos.
A fala de Moura surge em um momento de debates intensos sobre o Novo Plano Nacional de Educação (PNE), que busca metas mais realistas e monitoramento rigoroso. Como defensor histórico de investimentos em educação, o senador de Rondônia tem acompanhado de perto a expansão das universidades na região Norte, mas alerta para os riscos de uma oferta descontrolada.
A Expansão Desordenada do Ensino Superior no Brasil
O Brasil viveu uma explosão no número de matrículas no ensino superior nas últimas décadas, passando de cerca de 6 milhões em 2010 para mais de 10 milhões em 2024, segundo o 16º Mapa do Ensino Superior do Instituto Semesp. Essa democratização, impulsionada por políticas como Prouni, Fies e cotas, foi positiva para o acesso, mas trouxe desafios. Nas universidades públicas, a criação de novos campi e cursos tem sido constante, com o Ministério da Educação (MEC) credenciando dezenas de unidades recentemente, como os 10 novos campi federais anunciados em novembro de 2025, previstos para oferecer 28 cursos a partir de 2026.
No entanto, o crescimento não foi acompanhado por planejamento. Em 2024, o EaD representou 50,7% das matrículas totais pela primeira vez, com aumento de 5,6% em relação a 2023. Nas públicas, a evasão no EaD chegou a 32,2%, contra 41,9% na rede privada. Cursos presenciais presenciais caíram 0,5%, revelando saturação em algumas áreas e baixa atratividade em outras.

Universidades federais, como UFMT, UFMG e outras, receberam autorizações para novos campi em cidades como Diamantino (MT) e Betim (MG), ampliando o acesso em regiões interioranas. Mas críticos apontam que sem estudos de viabilidade, esses investimentos viram 'elefantes brancos'.
Taxas de Evasão Alarmantes: O Calcanhar de Aquiles
A evasão é o principal sintoma da falta de rigor. Em 2024, 41,6% dos alunos em EaD abandonaram os cursos, recorde histórico, enquanto no presencial a taxa foi de 24,8%. Nas públicas, 21,4% no presencial e 32,2% no EaD. Esses números, do Censo da Educação Superior do Inep, mostram que 64,7% dos ingressantes na rede privada não concluem (68,1% no EaD), e tendências semelhantes afetam as públicas.
Fatores incluem incompatibilidade com mercado, baixa qualidade docente, infraestrutura precária e dificuldades financeiras dos alunos. No ciclo 2020-2024, tecnólogos presenciais tiveram 64,3% de evasão acumulada. Medicina se sai melhor (20%), mas áreas como licenciaturas e humanidades sofrem mais.
Em universidades federais, exemplos incluem campi remotos com vagas ociosas: quase 40% das vagas públicas estavam vazias em 2022, segundo Censo anterior. Moura citou casos recentes onde cursos inaugurados com pompa têm ocupação abaixo de 10%.
Exemplos Concretos de Cursos Subutilizados
Um caso emblemático mencionado por Moura: um curso de graduação em universidade pública com 50 vagas autorizadas pelo MEC, mas apenas 2 matrículas. Relatos semelhantes vêm de campi federais no Norte e Nordeste, onde novos bacharelados em áreas como gestão ambiental ou turismo atraem poucos alunos devido à distância e falta de empregabilidade local.
Em 2023, o Censo revelou 23 milhões de vagas disponíveis em públicas, mas só 4,7 milhões preenchidas. Institutos federais e universidades interioranas lideram ociosidade, com cursos como zootecnia ou agronomia em campi pequenos operando com turmas mínimas, desperdiçando verbas de custeio e pessoal.
O MEC autorizou 26 novos cursos em julho de 2025 e continua expandindo, mas sem métricas de demanda regional, o ciclo se repete.
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O Papel do MEC nas Autorizações de Cursos
A Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres/MEC) é responsável por credenciar cursos via portarias no DOU. Em 2025-2026, dezenas de portarias liberaram vagas em engenharia, saúde e exatas em federais. Exemplos: Portaria Seres/MEC nº 22/2026 renovou reconhecimentos; novas campi em AL, CE, MA etc. aumentaram 5.600 vagas em ifs.
Para cursos públicos, o processo envolve avaliação in loco, mas Moura critica a lentidão e falta de análise de mercado. Propostas incluem exigir estudos de viabilidade econômica e projeções de evasão antes da aprovação. O Novo PAC impulsiona expansão física, mas sem contrapartidas de qualidade.
Perspectivas das Universidades e Entidades
A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) defende expansão planejada, mas alerta para cortes orçamentários que afetam manutenção. Em 2026, repasses de R$ 400 milhões ajudaram, mas não resolvem estruturalmente.
Centros universitários privados cresceram 201% em 10 anos, absorvendo EaD, mas públicas enfrentam rigidez regulatória. Especialistas como Simon Schwartzman apontam que proliferação sem qualidade compromete credibilidade do diploma público.
Demanda de Mercado vs. Oferta Desalinhada
Áreas como computação (+9-12% crescimento) e saúde demandam mais, mas humanidades saturam. Semesp mostra 'Negócios, Administração e Direito' com 2,44 milhões de alunos, mas evasão alta. Universidades públicas devem priorizar STEM e licenciaturas qualificadas, alinhando com PNE metas de GER 50% até 2024 (atingido 20,8% em 2024).

Soluções Propostas: Rigor e Planejamento
Moura sugere: 1) Estudos prévios de demanda; 2) Limites temporários por região; 3) Monitoramento anual de ocupação/evasão; 4) Integração com mercado via conselhos. Outras ideias: parcerias público-privadas para campi, foco em EaD híbrido de qualidade e avaliação contínua via Sinaes.
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- Passo 1: Consulta pública regional antes de autorização.
- Passo 2: Projeção de 5 anos com dados Inep/Semesp.
- Passo 3: Suspensão automática se ocupação <50% em 2 anos.
Impactos Econômicos e no Mercado de Trabalho
Desperdício anual: bilhões em salários de docentes e infraestrutura ociosos. Egressos de cursos desalinhados enfrentam desemprego; 51% não concluem em 3 anos pós-prazo. Soluções rigorosas podem otimizar R$55 bi do Novo PAC em educação.
Perspectivas Futuras para as Universidades Públicas
Com Novo PNE em debate, 2026 pode ser turning point. Se adotado rigor, foco em qualidade elevará rankings QS (USP top Brasil). Para alunos e profissionais, mais vagas viáveis em áreas estratégicas. AcademicJobs.com monitora vagas acadêmicas para contribuir com transparência.
O chamado de Moura é um convite à reflexão: expansão sim, mas inteligente.
