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Unesp Lança Programa para Discutir Masculinidade com Professores e Alunos sob Nova Reitora

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A Universidade Estadual Paulista (Unesp), uma das maiores instituições públicas de ensino superior no Brasil, anunciou recentemente o lançamento de um programa pioneiro voltado para a discussão de masculinidades entre professores, funcionários e alunos homens. Essa iniciativa surge no contexto da gestão da primeira reitora mulher da história da universidade, Maysa Furlan, que assumiu o cargo em janeiro de 2025 com ênfase em equidade de gênero e combate ao assédio.

O programa integra o "Unesp sem Assédio", uma campanha lançada em 2025 para conscientizar e prevenir casos de violência no ambiente acadêmico. Com atividades iniciando em abril de 2026 nos 24 campi da instituição, a proposta visa promover reflexões profundas sobre comportamentos machistas e a responsabilidade masculina na construção de relações mais igualitárias.

Contexto Histórico e Liderança da Unesp sob Maysa Furlan

A Unesp, fundada em 1976, é conhecida por sua multicampinalidade, com presença em 24 municípios do interior e litoral de São Paulo, atendendo cerca de 50 mil estudantes em graduação e pós-graduação. A universidade tem se destacado em rankings nacionais e internacionais, especialmente em áreas como química e agronomia, mas enfrenta desafios comuns ao ensino superior brasileiro, incluindo desigualdades de gênero.

Campus Araraquara da Unesp, berço da reitora Maysa Furlan

Maysa Furlan, química e professora titular do Instituto de Química do campus de Araraquara, representa um marco ao se tornar a 15ª reitora da Unesp. Nascida em Mirassol (SP), ela graduou-se na própria Unesp em 1978, obteve mestrado e doutorado na USP e retornou como docente em 1987. Sua posse, ao lado do vice-reitor Cesar Martins, enfatizou parcerias, autonomia universitária e, crucially, uma nova Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (Proade). Furlan destacou: "A diversidade e a acessibilidade devem estar representadas em todos os segmentos [...] promover a equidade de gênero e o respeito à diversidade sexual".

Essa visão se materializa no programa de masculinidades, que complementa investimentos prévios em canais de denúncia e acolhimento de vítimas, fortalecidos desde 2025.

Assédio nas Universidades Brasileiras: Um Problema Estrutural

O assédio sexual e moral é uma realidade alarmante no ensino superior brasileiro. De acordo com dados do Tribunal de Contas da União (TCU), 60% das universidades federais não possuem políticas específicas de combate ao assédio. Entre 2022 e março de 2024, foram abertos 641 processos administrativos disciplinares (PADs) em 57 das 69 federais analisadas. A Controladoria-Geral da União (CGU) registrou 557 denúncias em instituições federais públicas em 2024, equivalente a uma por dia.

Pesquisas revelam que 47% das pesquisadoras brasileiras sofrem assédio sexual em algum momento de suas carreiras, com impactos profundos na saúde mental e produtividade. Em universidades públicas, casos envolvem frequentemente hierarquias de poder, como professores contra alunas. A Lei Maria da Penha (2006) e a Lei do Feminicídio (2015) fornecem base legal, mas a implementação depende de mudanças culturais.

No contexto da Unesp, o aumento de denúncias reflete maior confiança nos mecanismos: 19 casos de assédio sexual e 18 de moral em 2024; 40 em 2025 (20 de cada). Pelo menos dois professores foram demitidos após investigações. A reitora Furlan observa: "Quando a universidade deixou claro que não toleraria mais o assédio, as denúncias vieram à tona".

Detalhes do Programa Unesp sem Assédio: Foco em Masculinidades

O programa, coordenado pela Proade, oferece formações voluntárias inicialmente, com rodas de conversa que incentivam homens a compartilhar experiências, angústias e refletir sobre ações nocivas associadas à masculinidade tradicional. O objetivo é prevenir assédio ao abordar raízes culturais, tornando homens aliados na equidade.

  • Formato: Rodas de conversa em grupos exclusivos de homens, promovendo diálogo seguro e responsabilização.
  • Público: Professores, técnicos-administrativos e alunos homens nos 24 campi.
  • Início: Abril de 2026, com multiplicadores formados em parceria.
  • Metodologia: Baseada em diagnósticos de assédio, inspirada em recomendações do CNJ (2022).

A reitora enfatiza benefícios mútuos: "Eles vão querer participar [ao entenderem] que também sofrem com o estigma do que é ser homem". Para casos resistentes, espera-se convencimento gradual pelas direções dos campi.

Parceria Estratégica com o Instituto Memoh

O Instituto Memoh, especializado em debates sobre masculinidades, capacitará facilitadores para os grupos. A parceria, firmada em fevereiro de 2026 entre Proade, Coordenadoria de Saúde e Memoh, visa romper ciclos de violência por meio de duplas (servidor e estudante) como multiplicadores. Representantes como Leonardo Lemos (Proade) e Larissa Pelúcio destacam a necessidade de questionar padrões como a "masculinidade branca e privilegiada".

Memoh promove círculos masculinos em diversos contextos, enfatizando transformação social pelos próprios homens. Saiba mais sobre suas abordagens em Instituto Memoh.

Grupo de discussão sobre masculinidades do Instituto Memoh

Iniciativas Anteriores e Evolução na Unesp

O "Unesp sem Assédio" começou em março de 2025 com campanhas em campi, rodas de conversa e guias de acolhimento. Integra o Pacto Ninguém se Cala (MPSP e MPT, 2023). A expansão para masculinidades responde a diagnósticos locais, fortalecendo redes de apoio. Em 2026, inclui formação de multiplicadores obrigatória para direções unitárias.

Programas Semelhantes no Ensino Superior Brasileiro

Embora pioneira, a Unesp se alinha a tendências. Universidades federais como UFRJ e UFPR implementam políticas de gênero pós-TCU, com treinamentos sobre equidade. O Observatório Kaleidoscópio (Unicamp) mapeou 450 PADs por assédio moral em federais (2014-2023). Iniciativas como grupos masculinos em IES para atrair homens e desconstruir estereótipos ganham tração, combatendo a feminização do ensino superior (57% mulheres matriculadas).

Leia análise detalhada sobre assédio em universidades brasileiras.

Desafios na Implementação e Resistências

  • Voluntariedade: Potenciais agressores podem resistir; solução via mobilização cultural.
  • Escala: Alcançar milhares em 24 campi exige multiplicadores treinados.
  • Cultura Acadêmica: Hierarquias perpetuam abusos; reflexão deve incluir todos níveis.
  • Medição de Impacto: Redução de denúncias como indicador, mas foco preventivo.

Furlan reconhece: "A pessoa acusada tende a achar [o comportamento] natural".

Implicações para Equidade de Gênero no Ensino Superior

Envolver homens diretamente pode transformar dinâmicas, promovendo retenção feminina (mulheres são maioria em pós-graduação na Unesp). Alinha-se a ODS 5 (Igualdade de Gênero) e políticas públicas. Especialistas veem potencial para modelo nacional, reduzindo evasão e melhorando clima acadêmico.

Perspectivas Futuras e Chamado à Ação

O programa pavimenta caminho para obrigatoriedade futura e expansão nacional. Para Furlan, "Precisamos envolver os homens nesse debate para uma mudança efetiva". Universidades como Unesp lideram, mas sucesso depende de compromisso coletivo. Acompanhe atualizações no Jornal da Unesp.

Essa iniciativa reforça o papel das IES na sociedade justa, convidando toda comunidade acadêmica a refletir e agir.

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Frequently Asked Questions

🛡️️O que é o programa Unesp sem Assédio?

O programa integra ações contra assédio moral e sexual, agora com foco em rodas de conversa sobre masculinidades para homens na Unesp.

👩‍🎓Quem é Maysa Furlan, a reitora da Unesp?

Primeira mulher reitora da Unesp desde 2025, química do campus Araraquara, prioriza diversidade e equidade de gênero.

📊Quais as estatísticas de assédio na Unesp?

2024: 19 sexual, 18 moral; 2025: 20 cada. Aumento reflete melhores canais de denúncia.

🤝Como funciona a parceria com Instituto Memoh?

Memoh capacita facilitadores para grupos masculinos, promovendo reflexão sobre padrões tóxicos de masculinidade. Site Memoh.

A participação é obrigatória?

Inicialmente voluntária, com expectativa de adesão por benefícios mútuos; direções de campi envolvidas.

⚖️Por que focar em masculinidades nas universidades?

Para prevenir assédio na raiz cultural, envolvendo homens como aliados na equidade, alinhado a leis como Maria da Penha.

🚧Quais desafios o programa enfrenta?

Resistência de alguns, escala em 24 campi; solução via multiplicadores e cultura preventiva.

🌐Há programas semelhantes em outras unis brasileiras?

Sim, federais pós-TCU implementam treinamentos; Unesp é pioneira em grupos masculinos específicos.

📈Qual impacto esperado no ensino superior?

Redução de denúncias, melhor retenção feminina, modelo para IES no Brasil.

👀Como acompanhar o programa?

Através do Jornal da Unesp e Proade; participe voluntariamente nos campi.

🔍Assédio em unis brasileiras: panorama geral?

641 PADs em federais 2022-2024; 60% sem políticas adequadas (TCU). Agência Brasil.