Academic Jobs - Home of Higher Ed Logo

Avanços em Arqueologia Amazônica: LiDAR e Verbas Revelam Sítios sob a Floresta

204views
Submit News
an aerial view of a large pyramid in the middle of a forest
Photo by Pau de Valencia on Unsplash

A arqueologia na Amazônia está vivendo um momento de transformação graças ao uso de tecnologias avançadas como o LiDAR, conhecido como radar a laser, e ao aumento significativo de verbas para pesquisas. Essas ferramentas estão revelando sítios antigos escondidos sob a densa cobertura florestal, desafiando visões antigas sobre a capacidade da região de sustentar sociedades complexas. Projetos como o Amazônia Revelada, liderados por universidades brasileiras, marcam o início de uma nova era para o campo, combinando ciência, parcerias indígenas e proteção ambiental.

Por séculos, exploradores europeus consideraram a Amazônia uma terra 'virgem', incapaz de abrigar civilizações avançadas devido ao clima úmido e solos aparentemente pobres. No entanto, evidências acumuladas mostram que povos ancestrais modificavam o ambiente com técnicas como a criação de terra preta – solos férteis antropogênicos – e construções de terra e madeira. O LiDAR permite 'remover' virtualmente a vegetação, expondo valas, estradas, praças e montes que indicam ocupações de milhares de anos.

Como Funciona o LiDAR na Arqueologia Amazônica

O LiDAR (Light Detection and Ranging, ou Detecção e Alcance por Luz) emite pulsos de laser de aviões ou drones, medindo o tempo de retorno da luz para criar modelos 3D do terreno. Na Amazônia, onde a copa das árvores bloqueia a visão, essa tecnologia penetra a folhagem, gerando mapas de alta resolução do solo. Um voo pode cobrir centenas de km² em horas, revelando padrões lineares ou circulares invisíveis a olho nu.

No Brasil, o uso começou em 2024 com o projeto Amazônia Revelada, escaneando 1.600 km² no sul do Amazonas na primeira fase. Descobertas incluem um conjunto de terraços circulares como uma 'colmeia', praças quadradas ligadas a estradas e estruturas radiais com valas de 1 metro de altura perto do rio Purus. Esses achados sugerem planejamento urbano de baixa densidade, similar a outros na região andina.

Mapa LiDAR revelando estruturas antigas sob a floresta amazônica

História da Arqueologia Amazônica no Brasil

A pesquisa arqueológica na Amazônia brasileira remonta aos anos 1970, com foco em cerâmicas e terra preta. Universidades como a USP e o Museu Goeldi pioneiraram estudos sobre ocupações pré-colombianas. Descobertas como geoglifos no Acre (mais de 1.000 documentados) e vilas no Alto Xingu expandiram o entendimento. O LiDAR acelera isso, permitindo estudos em áreas remotas sem desmatamento.

Antes do LiDAR, escavações eram custosas e limitadas. Hoje, a tecnologia complementa fieldwork, como nos projetos do IPHAN e universidades federais.

Projeto Amazônia Revelada: Pioneirismo Brasileiro

Lançado em 2024, o Amazônia Revelada é coordenado por Eduardo Góes Neves, diretor do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP. Parceiros incluem UFOPA, UFAM, Museu Goeldi, Instituto Mamirauá e Povos da Floresta. A segunda fase, iniciada em abril de 2026, expande escaneamentos para Tapajós, Terra do Meio e Marajó, com consentimento indígena.

O projeto mapeou mais de 60 sítios, incluindo conexões com os Andes, e usa dados para proteção legal. Visita o site do projeto para detalhes.

Universidades Brasileiras na Vanguarda

Instituições de ensino superior são centrais. A USP lidera via MAE, com Neves comparando LiDAR ao carbono-14: 'uma revolução'. UFOPA e UFAM contribuem com coordenação regional, enquanto Goeldi e INPA fornecem expertise em etnoarqueologia. Instituto Mamirauá, parceiro de universidades, investiga Médio Solimões.

Programas de pós-graduação nas últimas duas décadas formaram dezenas de doutores, impulsionando o campo. FAPESP e CNPq financiam, integrando arqueologia a ciências ambientais.

Sítios arqueológicos revelados por LiDAR na Amazônia brasileira

Descobertas Recentes e Seu Significado

Além de geoglifos, LiDAR revelou vilas portuguesas perdidas em Rondônia e ocupações de 13.000 anos. No Equador (Upano, 2.500 anos), e Bolívia (Casarabe), estruturas semelhantes inspiram brasileiros. No Brasil, sul do Amazonas mostra 'floresta-jardim' com praças e estradas, indicando populações de milhares sustentadas por agroecologia.

Esses sítios comprovam que a Amazônia sustentava sociedades complexas, refutando mitos colonialistas.

Aumento de Verbas e Apoio Institucional

A Amazônia+10 destinou R$14,4 milhões em 2024 para arqueologia (18,95% das verbas), contra 0% em 2022. FAPESP apoia eventos como o seminário no MUSA (Manaus, 2024). Verbas crescem com interesse indígena em defender territórios via patrimônio cultural. Veja detalhes na reportagem da DW.

Parcerias com Povos Indígenas e Quilombolas

Projetos priorizam consulta prévia. Povos da Floresta treinam técnicos indígenas para LiDAR via drones (Kuikuro no Xingu). Arqueologia fortalece direitos territoriais, registrando sítios como patrimônio imaterial.

Desafios: Logística, Custos e Preservação

Escala brasileira dificulta logística; áreas remotas exigem autorizações. Desmatamento ameaça 6.000+ sítios cadastrados. Soluções incluem normas IPHAN para registro remoto e turismo sustentável.

Perspectivas Futuras para a Pesquisa

Expansão do LiDAR, mais doutores e verbas prometem mapear toda bacia. Universidades planejam centros como MUSA para análise. Integração com IA acelerará interpretações.

Esses avanços posicionam o Brasil como líder global em arqueologia tropical, com universidades fomentando conhecimento que protege a floresta e honra ancestrais. Para carreiras em pesquisa, explore oportunidades em instituições amazônicas.

Portrait of Dr. Liam Whitaker
About the author

Dr. Liam WhitakerView author

Academic Jobs In House Author

Acknowledgements:

Discussion

Sort by:

Be the first to comment on this article!

You

Please keep comments respectful and on-topic.

New0 comments

Join the conversation!

Add your comments now!

Have your say

Engagement level

Browse by Faculty

Browse by Subject

Frequently Asked Questions

🔬O que é LiDAR e como é usado na arqueologia amazônica?

O LiDAR é uma tecnologia de laser que cria mapas 3D do terreno sob vegetação densa, revelando valas, estradas e montes antigos.

🗺️Qual o impacto do projeto Amazônia Revelada?

Liderado pela USP, escaneou 1.600 km² e identificou dezenas de sítios, com fase 2 em 2026 expandindo para mais áreas.

🏛️Quais universidades brasileiras lideram essas pesquisas?

USP (MAE), UFOPA, UFAM, Museu Goeldi e Instituto Mamirauá são chave, treinando novos arqueólogos.

💰Como aumentaram as verbas para arqueologia na Amazônia?

Amazônia+10 destinou R$14,4M em 2024, 19% do total, contra 0% em 2022, via FAPESP e CNPq.

🏺Quais descobertas recentes desafiam visões sobre a Amazônia?

Geoglifos, praças e terra preta mostram sociedades complexas de 13.000 anos, refutando ideia de 'terra virgem'.

🤝Qual o papel dos povos indígenas nesses projetos?

Parcerias com Povos da Floresta garantem consentimento e treinamento local, fortalecendo direitos territoriais.

⚠️Quais desafios enfrentam os arqueólogos amazônicos?

Logística remota, custos altos e desmatamento ameaçam sítios; soluções incluem registro remoto pelo IPHAN.

👨‍🏫Eduardo Góes Neves contribui como para o campo?

Professor da USP compara LiDAR ao C14, liderando Amazônia Revelada há 40 anos na região.

🌿Como a arqueologia protege a floresta?

Sítios como patrimônio cultural impedem invasões, promovendo etnoconservação e turismo sustentável.

🚀Qual o futuro da arqueologia amazônica no Brasil?

Mais LiDAR, IA para análise e verbas, com universidades expandindo pós-graduações e centros como MUSA.

📊Há mais de quantos sítios na bacia amazônica?

Mais de 6.000 cadastrados, com LiDAR revelando milhares ocultos.